Respiramos todos os dias, durante todo o dia.
Sem pensar.
Mas já alguma vez parou para observar como respira?
Respira pela boca ou pelo nariz?
A sua respiração é tranquila ou acelerada?
Sente que precisa de suspirar muitas vezes?
A respiração muda quando está stressado?
A verdade é que respirar é automático, mas respirar de forma funcional pode ser aprendido.
Respirar mais não significa respirar melhor
Quando pensamos em respirar bem, é comum imaginarmos uma inspiração grande e profunda.
Mas uma boa respiração não é necessariamente uma respiração maior.
O nosso corpo precisa de uma respiração que seja adequada às suas necessidades: tranquila quando estamos em repouso, capaz de acompanhar o movimento e o esforço e que consiga voltar ao equilíbrio depois de uma situação de stress.
Por isso, em vez de perguntar:
“Estou a respirar o suficiente?”
podemos começar por perguntar:
“Como estou a respirar?”
E o que tem isto a ver com longevidade?
Aqui encontramos uma descoberta interessante da investigação científica.
Vários estudos que acompanharam milhares de pessoas ao longo de muitos anos encontraram uma associação entre melhor função pulmonar e menor risco de mortalidade.
Isto não significa que fazer exercícios respiratórios, por si só, nos faça viver mais.
Significa que a saúde e a capacidade funcional dos nossos pulmões parecem estar relacionadas com a nossa saúde global e com a forma como envelhecemos.
E isso é um bom motivo para começarmos a prestar mais atenção à respiração.
Um pequeno exercício para começar hoje
Não precisa de fazer uma grande técnica respiratória.
Experimente simplesmente parar durante um minuto.
Sente-se confortavelmente.
Feche os olhos, se for confortável.
E, sem tentar mudar nada, observe:
Como entra o ar?
Como sai?
Pelo nariz ou pela boca?
O abdómen e as costelas movimentam-se?
A respiração é tranquila ou sente algum esforço?
Não tente respirar “melhor”.
Observe primeiro.
A consciência é muitas vezes o primeiro passo para a mudança.
Respirar, sentir e regular
A respiração pode ser uma porta de entrada para uma maior consciência corporal.
Quando aprendemos a reconhecer os nossos padrões respiratórios, começamos também a perceber melhor a relação entre respiração, stress, movimento e estado interno.
É este espaço de exploração que trabalhamos no DoCarmo através da respiração consciente, do movimento, do mindfulness e de práticas de autorregulação.
Não para respirar mais.
Para respirar com mais consciência, funcionalidade e liberdade.
Talvez cuidar da respiração seja uma das formas mais simples de começar a cuidar de nós.
Pare um minuto.
Observe.
Respire.
Adélia do Carmo Travanca
Fundadora da DoCarmo Wellness
